Sejam todos bem-vindos

Este blog surgiu para que possamos interagir dentro deste Universo de possibilidades que nos é oferecido. Convido-os para conhecermos as verdades desta obra Divina e cósmica.

23 junho, 2014

Enfim a paz.


Naquela tarde tudo estava em paz. Paz? Ou tudo simplesmente  parado.
   Por falta de gente, por falta de alegria. talvez. É difícil dizer.
   Pela janela vi apenas um homem que caminhava cabisbaixo, devagar e  com dificuldade, usava uma bengala. Da distancia em que eu estava não se percebia se era um jovem ou não. Mas isto não importava, pois não sei se faria diferença.
  Não havia vento e sequer uma brisa. Uma mulher passa por ele e não o vê. Pelo menos nada demonstrou.
  O tempo foi passando e o homem continuava ali. Agora sentado em um banco de pedra.
  Já viu uma calmaria antes da tempestade? Ou o recuo dos mares antes de uma tsunami?  Lembrei-me disso naquele instante. Não sei porque me veio a memória de alguma reportagem lida.
  As lojas, bares, casas tudo estava fechado, inclusive a minha.  A rua continuava vazia e silenciosa.
  Porque?
  Eu não sabia. Batem a porta e não sei se eu a abrirei. Quem poderia ser naquele cenário tão frio e desumano? 
  Mas, e se fosse aquele homem solitário que estava na rua?
  Voltei a janela e lá estava ele. Do mesmo jeito só que agora olhava para o céu. Será que esperava  ou se comunicava com alguém? Seu Anjo da Guarda, com Deus. Quem vai saber.
  Neste instante percebi que poderia ir até lá e lhe oferecer um café quente com alguns biscoitos.  Mas será que ele aceitaria? 
  Lembrei de alguma palavras que ouvi de alguém na parada do ônibus. Ele dizia para um menino  "Filho! Faça aos outros o que gostaria que fizessem para você". Aquela lembrança que veio sem ser pensada tomou uma proporção em meu peito que quando me dei conta já estava com uma jarra térmica com café quente e uma porção de deliciosos biscoitos.
  Como não sabia como seria recebido fui com cuidado e tentando não ofender o solitário. Sim. Era o que ele era pelo menos naquele momento.
  Cheguei perto e me sentei ao seu lado. Ele sequer me olhou.
  Senhor, puxei conversa, como está na hora de fazer o meu lanche e não gostaria de fazê-lo sozinho, o senhor não se importaria em me acompanhar?
  O homem me olhou da cabeça aos pés e respondeu que se fosse para agradar-me  e me fazer companhia é claro que ele aceitaria fazer o lanche comigo.
  Coloquei o café em duas canecas e alcancei a ele, os biscoitos abri o saco de papel e o deixei semiaberto entre nós dois e sentei.
  Após o primeiro gole ele me confidenciou que era o melhor café que já havia bebido.       
  Senti que estava puxando conversa comigo e eu entrei na dele.
  Perguntou-me quem eu era, o que fazia, se morava ali há muito e assim foi. Ele me perguntado e eu respondendo.
  Entretanto, inesperadamente me perguntou porque era tão infeliz se o dia estava tão lindo, ensolarado, temperatura agradável e porque tanta tristeza em meu olhar.
  Confesso que aquele observação me pegou de surpresa. Primeiro que o tempo não estava como ele o descrevera bem como não estava triste.   Sabes meu filho. As vezes passamos por sofrimentos tão profundos que com o tempo sentimos que a solidão, a melancolia e a consternação são normais e fazem parte de nossa existência. E não precisa ser assim. Sei que é muito triste perder a esposa e a filhinha, mas isto tem que ser encarado como parte da vida e na verdade é. Em que você acredita?
  Não sei mais. As vezes penso que não acredito em mais nada.
  Meu filho, você sabe que existem separações tão terríveis como doenças por exemplo e quantas vezes são longas e isto quando não são definitivas?
  Na morte sentimos saudades e uma enorme vontade de ver novamente nossos entes queridos que partiram para o outro plano.
  Não podemos escolher qual a situação seria melhor para eles ou para nós mesmos. E se elas ainda estivessem contigo em um situação de paralisia ou em coma. Seria melhor para você? Sofrerias menos? E elas?
  Então. É justamente porque as amamos é que sentimos a sua falta. Mas a jornada continua e também para elas. Sabemos que o sentimento de resignação e capacidade de perdão nos levam a entender melhor a perda de nossos amados. Nunca se esqueça que não somos donos de nada e nem de ninguém. Tudo que temos é apenas um empréstimo que a qualquer momento poderá ser retirado de nós. Todos sabemos que um dia partiremos e o que levamos junto nesta nova etapa?  Apenas o que fizemos de bom e de ruim e os sentimentos e atitudes que amealhearmos ao longo de nossa vida terrena  e são apenas  estes sentimentos  que serão julgados por nós mesmos. Portanto, precisamos acreditar em alguma coisa que realmente nos traz conforto e esperança. A crença nos valores espirituais, faz com que conseguiremos viver esse período de luto com maiores condições de enfrentar o distanciamento.  Pense nisso e acredite que o Pai nunca deixa seu filho desamparado.
  Fiquei olhando para o chão pensando no recente acontecimento. Eu não entendo Pai.   
Vim até aqui para fazer companhia e solidariedade para aquele homem e no entanto foi ele que me surpreendeu com suas profundas palavras.
Senhor? Disse e, para o meu espanto não havia ninguém sentado ao meu lado somente uma caneca cheia de café e o dia?  estava lindo, ensolarado, temperatura agradável e nisso veio um menino e me convidou para jogar bola com ele. perguntei-lhe se estava sozinho e ele me respondeu que não, pois a babá o estava cuidando.
  Perguntei sobre seus pais e ele me respondeu que eles haviam partido para muito longe. Eles estão junto ao Menino Jesus me cuidando lá de cima e estende sua pequena mão. Quer ser meu amigo moço. Eu não tenho amigos nem para ir nas festas na minha escola. Dois anos depois o menino tinha um pai mais amoroso que poderia ter imaginado.
Roseli Hübler

 

 

 

 

 

 

 

 

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