Sejam todos bem-vindos

Este blog surgiu para que possamos interagir dentro deste Universo de possibilidades que nos é oferecido. Convido-os para conhecermos as verdades desta obra Divina e cósmica.

05 janeiro, 2019

A cachorrinha Kika e seu belo laço colorido.


 

Certa vez, num sábado à tarde, véspera da Páscoa,

percebi um barulho um pouco estranho que vinha da garagem dos meus pais.

- Curiosa, pensei - que barulho poderá ser este? E bisbilhoteira levantei-me e fui até lá. Abri a porta da garagem e vi uma cachorrinha pequenina toda machucada e com a carinha muito assustada.

- Pobre cãozinho pensei. Quem será o malvado que a maltratou tanto? Aos pouquinhos fui me aproximando, haja vista não saber como a pobrezinha iria reagir diante de minha chegada. Ela se encolheu toda ao meu toque, entretanto ficou quietinha.

Minhas filhas logo que a perceberam chegaram e se encantaram e ela é claro que ficou conosco. Trouxemos um pires fundo com bastante leite e pão picado. Ela comeu tudo em poucos segundos, tal era a sua fome.

 Mesmo sendo um sábado de tarde conseguimos com que uma veterinária a tratasse. Foram longos dias de tratamento, pois estava por demais maltratada e sequer pelos ela tinha. Segundo a profissional a Kika tinha em torno de dois anos de idade. Como era novinha logo se recuperou dos maltratos.

Quando se varria o pátio ela se afastava correndo com medo da vassoura. Acredito que deve ter apanhado muito para tanta angústia.

Mas, depois de algum tempo descobrimos que ela estava prenha e logo me veio a pergunta. Como ela conseguiu entrar pelas grades da garagem? É tão estreita e não poderia passar por ali. Esta pergunta me acompanhou por muito tempo, meses mesmo. Cheguei a conclusão que fora obra Divina.

Kika, este era o nome que demos a ela. Pois bem, após alguns dias a pequenina Kika perdeu os filhotinhos devido aos maus tratos recebidos quando ficou prenha.

Passaram-se alguns meses e algo incrível aconteceu. A Kika latiu pela primeira vez. Enfim, o trauma adquirido havia sumido com os carinhos recebidos. Foi uma festa, até porque não se assustava mais nem quando varríamos o pátio.

Todos estavam felizes por ela e quando soubemos que estava prenha de novo e desta vez do cão do vizinho ficamos ainda mais alegres. A Kika voltara a viver feliz.

Numa noite muito fria, uma semana após ter tido seus filhotinhos, mesmo estando bem aquecidos os cachorrinhos não paravam de chorar então tive que improvisar para esquentá-la e a sua prole. Não teve dúvidas, mesmo já tarde da noite, não me recordo da hora, peguei alguns cobertores, abri uma cadeira "de preguiça" na garagem e fiz uma caminha para mim e coloquei todos no meu colo e cobri a Kika e os seis filhinhos que ela tinha e a mim. Até hoje não sei como couberam todos no meu colo. Mas dormiram a noite toda. Eu nem tanto. Estava preocupada que algum caísse.     

Certo dia em uma ocasião em que eu estava muito deprimida sentei-me na mureta de divisão entre o jardim e a passagem de carro de minha residência. Estava muito triste e pensava em como Deus poderia ter me abandonado a própria sorte e com tanto sofrimento.

A tarde ensolarada de final de verão estava agradável e o céu muito azul, mas como podem perceber estava sozinha e muito triste naquele momento. Minhas lágrimas teimavam em descer, mas eu as continha até que, não resistindo mais, as deixei rolar a vontade. Esta emoção tão sofrida às vezes me acontecia.

Alguns meses depois quando chegou as férias de verão, minhas filhas foram passear e meus pais curtir a casa de praia, o que faziam todos os verões. Mesmo passando momentos felizes com a minha família e a linda Kika eu estava infeliz com a minha vida e mentalmente conversava com O Mestre Jesus lhe pedindo ajuda e principalmente respostas para os meus desencantos.

E novamente me perguntei porque Deus havia me abandonado e foi neste momento que a minha querida amiga me olhava com uma carinha meiga e que me transmitia muito amor e carinho. E, olhando para ela entendi o que tentava me transmitir e cheguei a uma conclusão que mudou radicalmente a minha vida. Pensei: não menosprezando minha Kikinha, mas, se Nosso Senhor ajudou uma cachorrinha a se encontrar porque me abandonaria? E pensando assim entendi que Ele não havia me abandonado, eu é que havia abandonado a minha vida. E assim, com este pensamento, tudo começou a mudar. Novos pensamentos me vieram a mente. Novos caminhos surgiram. E amigos também. Assim como na vida daquela linda cadelinha, que naquelas alturas já havia nos dado mais três belezinhas, tudo mudou para melhor. Agradeço a Deus e ao Mestre Jesus, que um dia antes de comemorarmos a ressurreição do Cristo, me abençoou com tão lindo presente, ou melhor, nos presenteou a mim e a Kika com tão lindo presente, pois nos colocou frente a frente abençoando o nosso encontro.

Os anos se passaram. A Kika já partiu após dezoito anos em nossa companhia. A Julie, Chery e a Sweet também já se foram após muitos aniversários de alegria.

Duas cenas que jamais esquecerei: quando a vi pela primeira vez e de uma bela noite de Natal quando o Papai Noel a chamou e ela, charmosa em seu jeitinho peculiar foi buscar o seu ossinho envolto em um belo laço colorido.

Roseli Hübler